Longe daqui, em dias como os nossos…

The CrossSão 22h aqui. Uns 1980 e tantos anos atrás, 11 mil quilômetros daqui, um jantar de Páscoa já terminou. Foi seguido pelo lavar dos pés dos discípulos. O Mestre cuidou dessa parte. Depois veio uma conversa tão reveladora quanto constrangedora: abandono e negação eram os tópicos.

Agora, meu Senhor está no Jardim das Prensas de Óleos, o Getsêmani. Seus discípulos dormem. Meu Senhor já sente sobre si o avassalador peso dos pecados dos Seus. Onde deveria haver suor, há sangue.

“Não podeis vigiar nem por uma hora? Mas, eis que vem o traidor.”

Enquanto a nossa madrugada passa. Dormimos tranquilos, esperando mais um feriado. Uns 1980 e tantos anos atrás, 11 mil quilômetros daqui, meu Senhor é entregue nas mãos de pecadores, na madrugada da sexta-feira mais negra da história da humanidade.

São 09:00h aqui. Uns 1980 e tantos anos atrás, 11 mil quilômetros daqui, na calada da madrugada, meu Mestre foi julgado pelos líderes do Seu povo. De Sua boca mesmo vem a ajuda necessária para a incompetente promotoria deles: ‘Eu sou [o Cristo], e vereis o Filho do Homem assentado à direita do Todo-Poderoso e vindo com as nuvens do céu’.

Proibidos de executar alguém, apelam para os Gentios. Pilatos ordena o açoite ‘Flagellum‘, os soldados completam com a coroa de espinhos. Lançado às multidões, elas trocam o grito. Não mais ‘Hosana!’; agora, a uma voz, escolhem Barrabás e gritam: CRUCIFICA-O!    Meu Senhor toma o ‘Patibulum‘, a parte horizontal da Cruz que o aguarda, e começa a carregar aqueles 45 quilos pelo ‘Caminho da Dor’, a ‘Via Dolorosa’.

São 09:00 aqui. Uns 1980 e tantos anos atrás, 11 mil quilômetros, as mãos e os pés do ser mais poderoso do Universo, dAquele que sustenta tudo o que existe e sem O qual nada do que foi feito existiria… são cravados em um maldito madeiro. Ele não é um mártir, Ele não é uma vítima. Ele é o Senhor da História, o próprio arquiteto e escritor de toda esta cena. Cada espinho, cada prego, cada farpa deste madeiro é conhecido por Aquele que dá a Sua vida voluntariamente.

Nesta manhã de uma sexta-feira negra, a morte começa a ser mortalmente ferida para que encontre a sua morte na morte de Cristo, meu Mestre.

São 12:00h aqui. Uns 1980 e tantos anos atrás, 11 mil quilômetros daqui, os céus escureceram. Pavor e medo vieram sobre todos naquele pequeno monte que lembra uma Caveira.

O que seguiu foram mais escárnio, desafios e incredulidade. Os homens ao redor do meu Mestre aproveitavam seus momentos finais de triunfo, mesmo que assombrados pela repentina escuridão.

Interrompendo essa atmosfera opositora, um dos condenados pede a Ele, um condenado também, por misericórdia. Destoa também o pedido dele para que o Pai não considere os pecados dos Seus executores.

São 15:00h aqui. Uns 1980 e tantos anos atrás, 11 mil quilômetros daqui, uma palavra apenas em grego, duas em nossa língua, antecipam a morte do meu querido Mestre: “TETELESTAI“, “Está consumado!”. Ele havia pagado a dívida de injustiça e pecado dos Seus para com o Deus justo. As trevas se dissipam em meio a um terremoto que espalha ainda mais pavor.

O Cordeiro de Deus que havia sido ‘separado’ na Entrada Triunfal, agora foi sacrificado no Monte da Caveira. Já temos o sangue da Nova Aliança. Já temos uma melhor Páscoa.

Corajosamente, um bondoso homem e algumas mulheres compensam o abandono dos discípulos mais próximos. Meu Senhor é retirado da Cruz. Meu Senhor é colocado em uma sepultura. Vimos a ‘morte da morte na morte de Cristo’; mas, por enquanto, a própria Vida está no lugar comumente dado aos mortos. São 18:00h aqui. Uns 1980 e tantos anos atrás, 11 mil quilômetros daqui.

Mas, ao terceiro dia, 1980 e tantos anos atrás, 11 mil quilômetros daqui, lá vem chegando a alvorada, o Sábado já passou e com ele a Páscoa. É somente mais um primeiro dia da semana, aparentemente. Mas, aparências enganam.

O Espírito vivificou e restaurou o quebrantado corpo de Jesus. O caminho se volta foi retornado. A “certeza” da humanidade foi duvidada. O terror dos que vivem foi transformada em uma ameaça vazia. A morte foi vencida na ressurreição de Cristo. Não uma promessa vazia, não uma promessa futura: uma promessa real e presente. at-his-resurrection

“Por que procuram entre os mortos Aquele que vive?”, perguntariam os anjos. Realmente, cabe vários “porquês”? Por que esquecemos da ressurreição? Por que vivemos como se não fosse uma realidade? Por que nos parecemos com Tomé em nossa incredulidade depois de tantas provas? Assim é a nossa natureza: incrédula e recalcitrante. Mas, tal como Ele estendeu as mãos ao fracassado Pedro, na certeza da Sua ressurreição Ele estende as mãos para nós como que dizendo, “Está vendo? Foi simples e foi como eu prometi. Descanse, filho. Tal como foi há tanto tempo antes de você nascer, será no instante em que você morrer. Aquele que crê em mim, ainda que esteja morto, viverá! Eu prometo!”.

Arte - Colunistas - Joversi

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